A repercussão foi imediata. Para Virgílio Arraes, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), a mudança é positiva, e representa “um reconhecimento das instituições entre ambos os países”. Ele diz que o câmbio de pesos e reais resultará em uma maior agilidade no comércio bilateral. “Facilita, porque elimina a necessidade de ter dólares em estoque”, explica ele. Sobre a criação de uma moeda única no Mercosul, Arraes diz que ela só virá no “longuíssimo prazo” – mas que, cedo ou tarde, terá de acontecer. “Vai ser uma necessidade de sobrevivência da América”, afirma.
O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva já manifestou, mais de uma vez, o desejo de promover uma integração econômica mais efetiva entre os países do bloco, sugerindo a unificação dos Bancos Centrais e das moedas. Para Arraes, da UnB, o desejo de Lula só se tornará realidade se houver uma evolução nas relações diplomáticos entre os países do bloco. “Comercialmente, vamos bem, mas o problema é político. Exemplo disso são as divergências entre Uruguai e Argentina e os problemas de segurança entre Brasil e Paraguai”, explica. O professor destaca que a criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em maio deste ano, foi precipitada. Para ele, o organismo será apenas mais um fórum de discussão. “A Unasul deveria ser a coroação do processo de aproximação entre a Comunidade Andina e o Mercosul, mas veio ao mundo precocemente”, explica Virigilio Arraes. (Ricardo Lacerda/Revista Amanhã)
