Lembro do tempo em que se profetizava que a economia mundial não agüentaria o barril de petróleo acima dos US$ 50. E isto não faz tanto tempo assim. Agora o preço ultrapassa os US$ 120, pela primeira vez e outra vez anuncia uma crise prevista há muito tempo, para a qual nós brasileiros não temos dado a devida atenção.
A notícia da agência Reuters é a seguinte: Os contratos futuros de petróleo com vencimento em junho, negociados na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex), fecharam acima de US$ 120 por barril pela primeira vez nesta terça-feira, em um novo nível recorde de US$ 121,84 a unidade, em alta de 1,56%.
Na Bolsa Intercontinental (ICE), em Londres, os contratos futuros da matéria-prima (commodity) também fecharam em um nível histórico. A alta deve-se à convicção do mercado de que os preços altos não vão provocar uma redução na demanda global pelo produto.
O Departamento de Energia dos EUA (DOE) divulgou nesta terça-feira um relatório prevendo que o preço médio do barril de petróleo deverá superar os US$ 114 no segundo semestre deste ano.
O documento prevê que a demanda dos EUA deverá sofrer uma redução de 190 mil barris por dia este ano, para a menor média anual desde 2003. Porém, o consumo nos países emergentes deverá fazer a demanda global por petróleo crescer 1,4% em 2008, para 86,6 milhões de barris por dia.
"O preço do petróleo bruto dobrou nos últimos 14 meses e eles ainda estão prevendo um crescimento de 1,4% na demanda global. Esse é o fantasma por trás da alta dos preços", comentou Jim Ritterbusch, da consultoria Ritterbusch & Associates.
Analistas prevêem que o informe do DOE sobre o nível dos estoques americanos de petróleo na semana passada, a ser divulgado amanhã, mostre um crescimento das reservas do produto, pela terceira semana consecutiva.
Embora isso normalmente justifique uma queda nos preços, isso "provavelmente não vai acontecer", disse Ritterbusch. "Com toda essa euforia, as pessoas deverão buscar no relatório itens que sirvam de pretexto para a alta dos preços", afirmou.
Na máxima durante a sessão regular de hoje, o barril de petróleo foi a US$ 122,35 o barril. Já no pregão eletrônico, a máxima foi de US$ 122,73 o barril.
Na ICE, em Londres, os contratos futuros do petróleo tipo Brent para junho fecharam a US$ 120,33 por barril, em alta de 1,98%, com mínima em US$ 117,69 e máxima em US$ 120,99. As informações são da Dow Jones.
A economia brasileira está sendo suntentada por capital especulativo, remunerado com o maior juro do mundo. O modelo de crédito para consumo em geral é altamente cruel com os tomadores de dinheiro, com juros elevadíssimo. O modelo ultrapassado da indústria automobilística continua jogando milhões de carros nas nossas ruas, ajudando a fazer inadimplentes e a gastar as nossas reservas de petróleo com combústivel, o que beira o absurdo.
Precisamos incentivar uma mudança nestes modelos consumistas, incentivando soluções solidárias e coletivas para o transporte urbana, que substitua o disparate de carros circulando pelas ruas com uma ou duas pessoas, a preço que por enquanto é subsidiado - mas não é possível prever até quando isto será possível.
Vale dar uma olha nos estudos do físico M. King Hubbert e a sua famosa curva (Pico de Hubbert). Ver aqui [+] e mais [+]
